Os ícones do turismo mundial agem em nosso subconsciente como um verdadeiro imã: se tornam objetos de consumo, metas de realização pessoal e social. Neste âmbito, acabamos, mesmo que de forma não intencional, descartando a possibilidade de vivenciar novas experiências, a partir de horizontes não imaginados. A América Latina, em termos turísticos, se encontra em estágio embrionário perante as escolhas tradicionais, sobretudo para destinos como Europa e Estados Unidos. Entretanto, esta cultura tem sofrido mudanças, mesmo que sensíveis, principalmente diante do público mais jovem.
Motivos não faltam para desbravar o nosso continente: aqui dispomos de grandes megalópoles e uma das mais incríveis biodiversidades, com cenários que se modificam de acordo com sua geografia privilegiada. Praias, florestas, montanhas nevadas, desertos, uma riqueza interminável de rios, cavernas e cachoeiras. Tudo isso, é claro, diante de povos e culturas distintas, cheias de história e mistérios.
Tomemos como exemplo o nosso próprio país – do Rio Grande do Sul à Amazônia, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Pantanal, Chapadas, litoral e ilhas paradisíacas, como Fernando de Noronha, temos uma oferta de hospedagens para todos os gostos e orçamentos, com verdadeiras jóias para o turista que busca experiências in loco sem abrir mão do conforto. Os locais mais remotos nos reservam ainda mais surpresas, com hotéis deslumbrantes que compartilham, de forma sustentável, o abrigo da natureza em estado bruto. Tratam-se de diamantes com possibilidades de serem lapidados a partir de infra-estrutura adequada e condições para a prática do turismo de mínimo impacto. Neste caso, os nossos vizinhos peruanos tem nos dado bons exemplos.
O Vale Sagrado dos Incas, que acolhe, em seus territórios, maravilhas arqueológicas recentemente restauradas, tornou-se um exemplo de como se investir em estrutura para o turismo, garantindo, inclusive, novos empregos em negócios de economia criativa, social e sustentável. Hoteleiros têm percebido o valor dos investimentos em comodidade e excelência no atendimento, o que se pode oferecer por meio de capacitação da mão obra local, aliada à responsabilidade social. Lima, a capital do país, por sua vez, atrai viajantes por sua boa rede de hotéis, sendo isso somado ao incentivo a bons restaurantes, partindo da excelente gastronomia andina.
Uma capital organizada, Patagônia, vinhos e esportes de aventura dão a tônica do bem estruturado turismo chileno, que cada vez mais chama a atenção de viajantes de todo o mundo. Vários programas de preservação fazem parte das ações promovidas por algumas propriedades, como pôde ser visto na reserva Huilo Huilo, que em 2012 deteve o título de Melhor Destino Turístico Sustentável do Mundo, da Virgin Holidays Responsible Tourism Awards.
A Argentina também soube aliar o turismo urbano e cultural com projetos sustentáveis em áreas de natureza exuberante. Ainda que Chile e Peru a tenham superado nos quesitos de viagem imersiva, o país ainda colhe bons resultados de sua organização em apoio às opções de lazer, compras, gastronomia e artes.
Diante de um potencial inesgotável para negócios em turismo, contemplando praias lindíssimas, patrimônio histórico e cultural, biodiversidade e condições climáticas favoráveis, faltam ao Brasil projetos que proporcionem vivências repletas de autenticidade, segurança e infra-estrutura. Estas iniciativas devem partir tanto da sociedade civil, quanto de empresas privadas e governo, sempre com o cuidado voltado para a preservação de nossos patrimônios naturais e culturais.
*Roberto Bitelman é diretor do SUL Hotels, empresa especialista em destinos que abrigam instalações de primeira linha em meio a cenários deslumbrantes em países como Chile, Peru, Argentina e no próprio Brasil. Também promove a mais autêntica experiência de integração do turismo independente latino-americano de 11 a 14 de março de 2016 com a Remote Latin America. http://remote.la/.

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